Brincadeira e Desenvolvimento da Fala

Muito já comentamos aqui sobre a importância do brincar para o desenvolvimento da criança. Falamos sobre o brincar e a linguagem, o brincar e a maturação motora, o brincar e as regras…

Mas será que brincando podemos desenvolver a fala?

Em fonoaudiologia usa-se um termo chamado turno dialógico, você sabe o que é?

Turno dialógico é justamente a forma como a comunicação interpessoal acontece, eu pergunto, você responde, eu falo, você fala. Quase que uma regra social, uma regra de um jogo, o jogo dialógico.

Com o desenvolvimento a criança começa a entender as regras desse “novo jogo” e interage ativamente nele. E esse é um dos motivos que colocamos o brincar como um grande estímulo. Através da brincadeira a criança, necessariamente, com um interlocutor, irá responder às suas solicitações e indagações. Poderá também participar de uma brincadeira com enredo, através de bonecos e fantoches e dessa forma ir construindo a história, a brincadeira por ela mesma.

É nessa relação dialógica, cuidador-bebê, que começa a se formar a estrutura do “eu falante”. Nesse sentido é muito importante estarmos atentos a nossa fala e a reciprocidade da criança. O primeiro movimento dentro desse contexto se chama especularidade.

Especular é traduzir de forma instintiva o que a criança lhe traz em vocalizações, então quando ela estabelece um diálogo com o cuidador em balbucios e pequenas palavras deve este dar sentido a sua fala, transformar aquela melodia em fala intencional.

Desse primeiro movimento inicia-se o diálogo, ainda sem muitos argumentos e nem mesmo uma fala efetiva, mas já podemos dizer que é um diálogo.

O passo seguinte será a reciprocidade, então para uma fala da criança tem-se em seguida a fala do cuidador, o diálogo então se fixa numa dialógica recíproca. Eu falo, você fala, cada qual no seu turno.

Num último movimento temos a complementaridade quando o diálogo já começa a tomar forma e palavras e frases simples de 2 a 3 elementos já surgem no contexto. Assim para cada elemento pronunciado pela criança o interlocutor deve retornar com o mesmo acrescido de mais um elemento.

Ex: A criança pega a sacola de lego e mostra à mãe, esta diz:

(M)- Você quer brincar?

(C)- Bincá.

(M)- Vamos brincar de lego?

(C)- Bincá lego.

(M)- Ah eu vou montar um avião. Olha como ficou meu avião!

(C)- Vião.

(M)- Sim filho, vrrrruuum, um avião.

(C)- Vruuumm, vião.

(M)- O avião voou bem alto.

(C)- Vião bem alto!

Observe a forma como a interação se dá na próxima vez que sentar para brincar com seu filho e você vai descobrir uma grande ferramenta.

Boa brincadeira!

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